Relato de Parto

Dia 08/04/16 – sexta-feira – um dia depois do meu aniversário… Deus me deu o melhor presente que eu poderia receber!

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Acordo com um calor agoniante às 5 da manhã.  Vou até a varanda, tomo um ar… ando pelo apartamento em silêncio para não acordar ninguém. Meus pais tinham vindo de Curitiba na noite anterior (quinta) para jantarem comigo no meu aniversário e no sábado pela manhã iriam a um passeio de moto.

Depois de uma meia hora sem conseguir dormir, acordo o marido, reclamo do calor… colocamos um colchão de solteiro no chão da sala (único cômodo com ar condicionado); me deito ali, marido no sofá. Ele apaga. Eu continuo inquieta..

Oro a Deus pela vida do meu filho, pela minha família… e nada do sono. Com 36 semanas e 4 dias de gestação, começo a sentir o bebê mexer forte bem em baixo da barriga… um lugar incomum para mim, porque ele geralmente mexia muito na região da minha costela direita.

Continuo orando até pegar no sono… e às 07:40 acordo com um som único: POF! Algo estourou dentro de mim! Eu ouvi!! Dou um pulo no colhão. – Marido!! Você ouviu isso?? – Ele acorda perdido e eu anuncio: Acho que estourou minha bolsa!! Ouvi um POF dentro de mim… e abro um largo sorriso enquanto vejo se o colchão esta molhado… mas nada! Corro pro banheiro e lá sim, vejo que o shorts e a calcinha estão bem molhados… e com um cheiro de água sanitária! – Amor!! Era a bolsa mesmo, estourou!

Em frente aos olhos arregalados dele  observo seus músculos do braço pulsando de nervosismo. Com a maior tranquilidade, que eu jamais soubera que existia dentro de mim… acalmo ele. Peço para ficar tranquilo: vamos ligar para o médico e avisar. Aí  vamos esperar que as contrações comecem… não há porque ficar ansioso.

O médico não atende. Passo uma mensagem: “Bom dia Doutor. Minha bolsa rompeu às 07:40. Água clarinha, sem sangue. Acho que teremos parto hoje 😉 ”

Aviso a fotógrafa que iria nos acompanhar. O marido quer acordar meus pais… não deixo. Vamos esperar que eles acordem. Tomo um banho, coloco um vestido confortável e começo a sentir cólicas. Muitas… resolvo marcar o tempo, elas vem a cada 5 ou 6 minutos. O Doutor me liga, pergunta se já tenho contrações… digo que não sei. Tenho cólicas. Mas a barriga endurece? – ele pergunta – Acho que não, respondo sem ter certeza. Então decidimos continuar esperando e nos falando.

Arrumo a mesa do café da manhã, mando alguns e-mails do trabalho para não deixar pendências… e as cólicas continuam. Às 10 da manhã, cansada de esperar… acordo meus pais com um enorme sorriso no rosto: – Ei!! São 10 da manhã, minha bolsa estourou e estou em trabalho de parto, vocês não vão levantar?! – Os dois pulam da cama, num misto de nervosismo e felicidade.

Tomamos café, termino meus e-mails. Falo novamente com o médico. Decidimos nos encontrar no hospital às onze, caso evolua. E as cólicas continuam… mesmo intervalo, 5 ou 6 minutos. Decido ligar pra depiladora, ela se apavora! Atender alguém em trabalho de parto?! Sua louca!!! Venha já. Vou me depilar, depois comprar o  bebê conforto, sutien de amamentação e uma camisola… e as cólicas já foram promovidas à contrações. Mas sem dores terríveis… dores de cólica.

Novamente falo com o médico. Aviso que existem intervalos regulares. Vamos nos encontrar na maternidade então. – Doutor, posso almoçar antes? Pode! No restaurante as dores são pouco mais forte, preciso parar de falar quando elas vem e sinto os músculos das costas contraírem com força. Intervalos de 3 minutos.

Às 14 hrs dou entrada na maternidade – o médico me avalia – estamos com 5 de dilatação.

Vou pro apartamento, recebo uma bola de pilates e ele ensina o maridão uma massagem maravilhosa que alivia as dores das costas. Abençoada massagem! Obrigada doutor!

Ali eu fico, até o fim da tarde… quando as dores já são muito fortes, a massagem quase não ajuda. Mas não quero ir pro chuveiro, não quero levantar… só quero que chegue logo a hora de conhecer meu menino.

às 18 hrs, começo a sentir uma vontade de empurrar, o médico avalia – 9 de dilatação. Vamos para sala de parto. Bebê ainda esta muito alto – as dores já não dão trégua. O médico acha que ainda vai levar cerca de uma hora. Analgesia por favor! A pior parte? Relaxar durante as contrações para aplicarem a analgesia entre as vértebras. Sim… relaxar é a pior parte, a agulha é susse! Mas o médico querido fica comigo o tempo todo, explica tim tim por tim tim o procedimento, ensina como relaxar os ombros, me ajuda… segura minha mão. Pronto! Anestesiada.

E agora? Nem as contrações eu sinto! Temos 10 de dilatação. Tenho que prestar atenção para ver quando a barriga endurece e saber a hora de empurrar. Entre muitas empurradas, caminho pela sala sem parar para ajudar o bebê a descer, sento no banquinho de parto e me concentro. O doutor escuta o coraçãozinho, a cada contração os batimentos diminuem a frequência, mas assim que a contração passa, ele retoma o ritmo.

Faço muita força a cada contração. Ando sem parar pela sala, sinto muita fome… bebo água à vontade. A analgesia me deu uma coceira chata, parece que tenho pulgas! Depois de cerca de 2 horas, quase oito da noite – novo toque: bebê não desceu nada. O médico diz: – Vamos continuar empurrando, eu vou com você até o final! Você esta fazendo uma força ótima!

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Às 9 da noite constatamos que o coração esta diminuindo muito a frequência, ele ainda não desceu nada! Vamos tentar mais meia hora – aumentamos a ocitocina – caprichamos em cada empurrão. Nada! Meu tranquilo bebê não quer descer.

Depois de uns minutos de frustração, choro…. meu sonhado parto normal não vai acontecer. Oro, mais uma vez… Sei que Deus esta no controle de tudo. Meu menino esta vindo 25 dias antes do esperado, não estou no hospital que eu gostaria, não terei o parto que eu tanto defendi. Mas meu coração esta cheio de fé! Meu marido foi um excelente companheiro, me incentivou a cada minuto.  Fez massagem, me ouviu berrar e me elogiou. Meu médico foi excelente. Durante todo o pré-natal defendeu o parto normal, me ensinou a lidar com a dor, antes e durante ela. Segurou na minha mão, me deu força!

Não seria o parto normal… mas seria lindo! Seria como Deus planejou.

Assim me conformei com a cesárea indicada. Enxuguei as lágrimas e abri o sorriso mais uma vez para esperar meu menino. O médico me promete que vai baixar o campo para que eu veja ela saindo… e eu vejo. Meu menino!!!!

 

Não posso abraça-lo, mas escuto seu choro… vejo ele no colo do pai. Te amo filho… te amo! É tudo que consigo dizer: a mamãe te ama! Choro um choro que eu não conhecia… cada lágrima me lava de amor, de felicidade! Obrigada Senhor! Obrigada!!!

Enquanto fazem a sutura meu bebê vai conhecer os ansiosos avôs. Depois volta pra sala de parto e fica quietinho esperando a mamãe.


Doutor termina tudo, me dá um beijo na testa e me dá os parabéns! Agora terminou.Na sala de recuperação ele vem pro meu colo (até que enfim). Enfim, somos nós dois… juntos, depois de quase 9 meses de espera. Admiro cada pedacinho dele por uma hora inteira. Passo a ponta dos dedos pelo seu rosto, sua sobrancelha, olho cada dedinho… meu menino!

Oro, abençoo em nome de Jesus – você será um homem de Deus meu filho, um canal de bençãos por onde passar! Que seu coração seja sempre humilde e obediente a Deus. Que o Espirito Santo seja sempre seu melhor amigo. Mamãe te ama!!!

Obrigada Tiago, meu marido… meu amigo, meu companheiro! Obrigada por cuidar de mim durante todo tempo em que estivemos gerando nosso filho, por me amar incondicionalmente, me apoiar em minhas decisões, me aguentar no mau humor. Obrigada por perguntar como eu me sentia, me ouvir… mas principalmente por cada abraço e beijo carinhoso! Você é uma benção em minha vida… sem você nada disso teria acontecido.

Obrigada aos meus pais, por todo amor, apoio e toda alegria que compartilharam conosco. Por registrarem tudo, chorarem e rirem conosco. Por cuidarem de mim sempre como uma menina, por me amarem tanto, tanto, tanto! Espero em Deus que eu possa dar ao meu filho, o mesmo amor que recebo de vocês!

Grata, muito grata ainda pelo Dr. Luis. Profissional dedicado, paciente e que tem muito amor pelo que faz!

Obrigada a fotógrafa Natália Brasil, que com tanta descrição registrou cada momento, quase despercebida.

Obrigada Deus, por todos que se alegraram conosco. Eu creio que o melhor ainda esta por vir! Glórias a ti Senhor!

 

 

 

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